Instituto... A refavela / Revela a escola / De samba paradoxal / Brasileirinho / Pelo sotaque / Mas de língua internacional / A refavela / Revela o sonho / De minha alma, meu coração / De minha gente / Minha semente / Preta Maria, Zé, João. (Gilberto Gil)

O Instituto Arte no Dique, organização não-governamental, sem fins lucrativos, desenvolve trabalho sócio-cultural com a população do Dique da Vila Gilda na Zona Noroeste de Santos, numa das regiões mais carentes da cidade, com uma população de 22 mil habitantes vivendo em condições precárias, em palafitas à beira do mangue, sobre o Rio Bugre.

Tem como proposta a realização de ações, oficinas e cursos profissionalizantes, regidas pelos princípios da inclusão social, pesquisa e valorização da cultura local, aquisição de conhecimentos específicos do mundo da arte e cultura que possibilitam a ampliação do universo cultural, assim como a descoberta de talentos, saberes e habilidades pessoais que podem ser direcionadas à formação profissional com qualidade, abrindo também perspectivas de sonhar e transformar projetos de vida na direção de um futuro promissor em contraponto à realidade vivida com altos índices de miséria, evasão escolar, desemprego, criminalidade, drogas e violência.

Em novembro de 2002, o projeto foi lançado em parceria com o Grupo Cultural OLODUM da Bahia, Comissão de moradores do Dique da Vila Gilda, Ministério da Cultura, Instituto Elos, conquistando a partir de então, já como ONG autônoma, o apoio de vários setores da sociedade como a Prefeitura Municipal de Santos, a COHAB, o Santos Futebol Clube, SESC, SESI, e empresas, dentre as quais a Libra Terminais que atualmente é a mantenedora do Instituto, além da Cosipa – Usiminas e Anglo American que patrocinam o Instituto.

Atualmente conta com oficinas e cursos de percussão, principal fonte de talentos para a formação da Banda Querô, artes cênicas, para montagem do segundo ato do espetáculo Refavela – refazendo o sentido, moda, dança livre, pintura, customização e costura, artesanato com materiais reciclados e audiovisual (edição, iluminação e finalização de vídeos).

 

A Missão ... Deixar de ser só esperança / E por minhas mãos, lutando me superar / Vou traçar no tempo meu próprio caminho / E assim abrir meu peito ao vento / Me libertar (Gonzaguinha)

A missão do Instituto Arte no Dique é
· Inclusão social através da profissionalização para cultura, arte e entretenimento,
· Colaborar para a consciência de uma cultura de paz e não violência,
· Estimular a participação social, principalmente de crianças e jovens, para construção de uma sociedade justa, solidária, próspera e livre,
· Conscientizar as populações sobre sua relação com o ambiente e padrões de convívio e vida sustentáveis,
· Combater a discriminação e devolver a dignidade a todo ser humano,
· Criar uma rede de atenção para proteção da infância e juventude contra todas as formas de violência: física, sexual, psicológica, econômica e social,
· Criar novas práticas de interação social baseada na necessidade de redistribuição de renda e oportunidades,
· Defender a liberdade de expressão e diversidade cultural,
· Promover comportamento crítico sobre hábitos de consumo e interação comunitária para preservar um equilíbrio ambiental e social,
· Combater a discriminação sobre a mulher, reforçando os princípios democráticos de participação social.

Confira o vídeo institucional do Instituto, desenvolvido pela Libra Terminais.

 

Justificativa ... Nas noites mais negras do ano eu mostro minha voz / Estrelas, estrelas / As estrelas elas brilham como eu! / As nuvens vagueiam no espaço sem lar nem raiz / 0 ódio não é o real é a ausência do amor (Raul Seixas)

Nos últimos 30 anos, a Baixada Santista experimentou rápidas transformações econômicas com a formação de um dos mais importantes pólos industriais, turísticos e portuários do mundo. Criaram-se nessa mesma época bairros operários ocupados por trabalhadores das indústrias, portos e construções de rodovias; ocupações que cresciam descontroladamente, sem qualquer planejamento urbano e ambiental.

A partir da década de 70, com a crise econômica que atingiu o país, surgiram na periferia das cidades verdadeiros “bolsões de pobreza”, ocupando áreas de proteção ambiental especialmente encostas e manguezais.
Santos experimentou nessa época um grande inchaço populacional passando sua população de 265 mil habitantes em 1960 para 450 mil habitantes em 1994.

Ao mesmo tempo, o município possui 474km2 de território, dos quais 39km2 estão na Ilha de São Vicente a qual abriga 99% de sua população. Este aumento vertiginoso da população urbana, somado à sua concentração populacional, criou situações sub-humanas de moradia e exclusão social, concentradas na região central da cidade (cortiços), Morros (áreas de risco), Zona Noroeste e área continental (áreas de preservação ambiental).
Dique é o nome genérico que se dá a maior concentração de favelas de Santos e São Vicente que foram se erguendo em regiões de proteção ambiental, manguezais, ao longo de 3km do Rio do Bugre, na Zona Noroeste de Santos.

 


 

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